domingo, 15 de janeiro de 2012

Manipulação Mental Monarca

É possível encontrar diversas informações na internet (inclusive no Wikileaks) e em livros sobre os projetos da CIA para obter controle sobre as mentes das pessoas - MK Ultra. Desenvolver novas técnicas de interrogamento, drogas, lavagem cerebral, eletrochoques...eram alguns dos interesses desse projeto. Uma subseção do MK Ultra é o controle mental monarca. E este é o que mais está sendo praticado, pois pode ser feito em público; porém fica bem claro que a tortura psicológica está acontecendo.


O Objetivo

Um artista tem grande influencia sobre os jovens, mas o artista não tem interesse em levar ninguém a ser satanista, praticar rituais, sacrifícios de animais e humanos e se envolver com promiscuidade, então eles moldam o seu estilo por meio do abuso. Como o objetivo é praticar abusos sem ser incriminado, fazendo com que a vítima seja a verdadeira culpada, eles optam por crianças/adolescentes ou adultos traumatizados (todos talentosos e com um dom especial). O método varia de pessoa pra pessoa e entre os sexos.( A música e a arte não precisam ser sexualizada ou de rituais satânicos e tanto simbolismo.) Os mais manipuláveis, talvez, nem passem por isso. Mas artistas como Mariah Carey e Whitney Houston com os seus costumes cristãos ou Britney Spears com o pudor americano, precisaram passar por esse adestramento que eles chamam de "liberdade". 

O Método

 Eles se infiltram na sua vida, ganhando a confiança dos seus parentes e amigos por demonstrarem que querem te ajudar a se curar ou elevar o seu potencial. Te elogiam perante todos, prometem várias coisas pra seus familiares: que vão te dar isso e aquilo...Isso pode ocorrer tanto depois da fama como antes. De início, você é bombardeado de elogios em todos os lugares que você vai; você fica assustado por não entender o que está acontecendo. Você sabe que aquilo é desnecessário e excessivo, mas não se opõe. Porém você percebe que as coisas estão indo muito além do ato bobo. Agora eles invadem a sua história querendo saber tudo sobre você, sem a sua autorização. Na verdade, você ainda não sabe quem é que está fazendo tudo isso: o ventríloquo. Digamos que você sofra de algum trauma ou depressão, eles conseguem invadir a sua história e te monitorar com a desculpa que é pra te ajudar; que não basta só o psicólogo ajudá-lo, eles têm que se envolver 24hs. Depois eles contam para as pessoas sobre você, contam até coisas que não aconteceram; invadem a sua intimidade e fazem questão de te mostrar que estão fazendo isso tudo. Pois é esse o objetivo: te fazer se sentir controlado, vigiado, exposto, sem poder confiar em ninguém ao seu redor, pois todos parecem estar do lado destes. As frases que você ouvia diariamente agora começam a te prejudicar bem mais, já que tudo que agora você ouve você associa com você e com o seu problema. Agora você vive num divã público, seus problemas são expostos e as suas atividades também, porém nem todos sabem disso. As pessoas só visualizam uma face do dado. Por isso, quando você ousar falar, as pessoas te chamarão de louco ou exagerado. 
Alguns subestimam o método por não ter cordas literais te controlando, porém você pode ser levado a suicídio ou mesmo assassinado; bem como, hipnotizado. Para pessoas de valores, isso é algo sério. O nome, talvez, deva ser modificado para manipulação mental.
     
                     A aranha, acima, finge ser uma formiga para atacar quando todos estão dormindo.

"Todos fomos pegos numa mentira, incluindo os santos."

Mesmo que agora você já tenha desenvolvido a paranoia (por intensão deles) você tem total razão pelas coisas anteriores que te levaram a isso e não há dúvidas de que o que você passa atualmente seja verdade. A depender da insensibilidade de cada um, outras faces do dado são mostradas. As pessoas por si só já são insensíveis, não falo do extremo da insensibilidade; falo das poucas coisas que fazem grande diferença. Nessa situação depressiva, mais esse controle, você não sabe ao certo até onde eles expuseram a sua vida e seus problemas. Provavelmente você irá acreditar que tudo foi exposto e que você não tem mais intimidade. Você irá se rebelar e eles dirão que vão te dar um carro ou qualquer outra coisa. Isso faz com que as pessoas que estão visualizando o exagero fiquem mais aliviadas, mas isso é só uma pomada.



Borboleta Monarca: simbolo do controle mental


Eles dizem que você agora evoluiu de uma simples largata para uma borboleta e que, agora, está livre. Mentira! Você agora é uma inofensiva borboleta, sem forças para se opor e sem moral. Tudo agora é aceito por sua mente cauterizada. Se você não tomar cuidado e demonstrar pulso firme, eles vão tentar até te hipnotizar ou interrogar quando estiver dormindo(usando técnicas psicológicas).
E pra piorar eles fazem você ficar sem sexo e sem amor. (a intenção inicial é que você faça sexo com todos, mas se sair errado eles vão tentar limpar o seu nome; Por dar a impressão que eles não querem) Você não consegue se relacionar com ninguém, pois eles impedem isso. (eles nunca se revelarão pra você porque você é o único que sabe da verdade e servirá como estratégia pra dizer que você enlouqueceu)
Eu acredito que testes/treinamentos como os que ocorrem nas forças especiais ou os que ocorriam no Egito antigo, são saudáveis e tornam o ser humano mais consciente dos seus sentimentos, com maior concentração e auto controle. As reações instintivas são diminuídas. Eu inclusive cheguei nesse estágio, porém o que eles (os psicólogos juntos com a corja da nova era e maçonaria) aplicam tem uma incidência enorme de efeitos prejudiciais, ou melhor é esse o interesse deles. Muita gente pode ser levada a suicídio. Existe uma expressiva diferença entre o que se diz e o que é praticado (só quem passa sabe os reais efeitos). E não há efeitos positivos. É muito danoso e antiético, mas é o que eles querem.
Um passarinheiro amansa um passarinho por colocá-lo numa gaiola, muito pequena, até que ele desista da sua liberdade. Do mesmo modo, a pessoa que é submetida ao controle mental é vencida pelo cansaço. Ela passa a "aceitar" as intromissões, humilhações...a vergonha é reduzida e segundo eles: você agora é uma borboleta livre. Tudo o que você faz é o que você sempre quis fazer.


Negar que o método está sendo praticado é desrespeitar as vítimas.

(Mateus 7:15-20) . . .“Vigiai-vos dos falsos profetas que se chegam a vós em pele de ovelha, mas que por dentro são lobos vorazes. 16 Pelos seus frutos os reconhecereis. Será que se colhem uvas dos espinhos ou figos dos abrolhos? 17 Do mesmo modo, toda árvore boa produz fruto excelente, mas toda árvore podre produz fruto imprestável; 18 a árvore boa não pode dar fruto imprestável, nem pode a árvore podre produzir fruto excelente. 19 Toda árvore que não produz fruto excelente é cortada e lançada no fogo. 20 Realmente, pois, pelos seus frutos reconhecereis estes [homens].

Psicologia

Psicologia não é ciência, mesmo que alguns hoje comecem a dizer que é. Pra quem estuda de perto, logo percebe que é muito mais filosofia do que ciência. Mas a verdade é muito além disso. Jung, um dos percursores, se inspirou na astrologia, tarô e ocultismo no geral. As opiniões de Freud sobre sexo são as mesmas dos magos negros, satanistas e ocultistas. Tudo pra eles é sexo. E falam muito sobre energia sexual. Será que psicologia é uma criação dos ocultistas? Provavelmente. Que vantagem que a classe materialista (maçonaria) tem! É uma pena, pois eles não sabem que estão sendo enganados e que não passam de lixo para o diabo (Que eles chamam de uma outra face de Deus).
Desejar não é precisar. Sexo não é tudo e são as suas atitudes que provam o que você pensa.  Satisfazer desejo não é ser livre. Ser livre é desejar depois de superar o desejo.        
É bom lembrar que eles podem provocar em você uma forte dor e isso terá o mesmo efeito de um eletro choque. Eles darão um jeito de dizer que a culpa foi sua por isso ter acontecido.
Se para eles você é um forte candidato a anti-cristo, é bem provável que irá passar por isso; para em seguida eles enfiarem um demônio dentro de você. (note como os filmes sobre anticristo são repletos de sexo) E não importa o seu estado eles tentarão te fazer ser imoral a força, mesmo por traumas.
Eles acreditam que o anti-cristo irá ressuscitar. Como eles não tem ética alguma, eles tentarão de  tudo para que a sua história artificial se encaixe nas profecias.



Notem nos links que tanto Mariah, como Britney parecem ter tentado ou pensado em suicídio. No filme cisne negro retrata bem isso. Falta de felicidade e prazer com ódio.

http://www.youtube.com/watch?v=ZOH8e5kgT4M&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=JS0KBSvqB_0&feature=fvwrel

Vejam a postagem sobre o filme, O Cisne Negro:
http://danizudo.blogspot.com/2011/01/interpretacao-oculta-do-filme-cisne.html


http://www.youtube.com/watch?v=ZOH8e5kgT4M

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O Filtro da Consciência



A todo o momento esse filtro está agindo. Nas suas leituras dos problemas, quando escreve, canta...Ele permeia todas as suas atitudes. Não há reação que você tome que não passe pelo seu filtro. Ele é composto pelos seus desejos, preferências, histórico bons e ruins etc. Esse filtro tem valor para a nossa proteção, pois não somos bons de lidar com milhares de variáveis. Por não sabermos fazer isso, ainda, pensar em 5 variáveis de uma só vez já torna um problema impossível de ser solucionado.É esse filtro que primeiro te dar uma impressão da situação e automaticamente te dar uma solução. Talvez você já tenha passado por um determinado problema e, por isso, você já fixou uma solução; de modo que, você como um martelo, tudo que ver pontiagudo logo pensa que é prego. Às vezes acaba acertando um dedo.Note as pessoas que são apaixonadas por bebidas: elas não entendem como você pode ser feliz sem beber; se você estiver doente, ele diz que é falta de cachaça.
O filtro nos torna primitivos, instintivos, cheios de respostas automáticas - animais. Observem a nossa visão sobre sexo, festas, namoro e casamento. Notou o filtro ditando uma moda, um comportamento, dizendo quem é feliz e quem é triste? Os parentes, por exemplo, não conseguem fazer muitas perguntas sem perguntar sobre se já está namorando, se vai casar, se está bebendo muito... Se não notou: pense em dizer que não quer se casar; quer viver só ou que não gosta de beber ou festas. Ouse dizer que não gosta de beber e um dia resolva beber um gole; logo dirão: ali é um cachaceiro, sonso!  Olhe pra uma mulher ou homem e eles dirão: está louco(a) para fazer sexo.
Fique triste e eles dirão que você está assim por não estar fazendo sexo ou bebendo.
 É difícil para o ser humano analisar um problema, o enxergando como ele é, graças ao condicionamento da consciência - ao filtro. Ele torna o seu julgamento tendencioso. Você cria verdades absolutas - inquestionáveis -, toma medidas e faz leituras com base nessas "verdades".
Esse filtro age também na ciência, na filosofia, na matemática e, obviamente, na psicologia dentre outras, pois recai sobre o ser humano.
É a habilidade de lidar com o filtro - ou melhor, fugir dele - que nos dar a habilidade de enxergar longe, enxergar no escuro.
Temos que nos livrar dos instintos, das reações automáticas, ela limita a nossa realidade, causa danos aos outros e a nós mesmos.
1 Coríntios 13:12 - "Pois, atualmente vemos em contorno indefinido por meio dum espelho de metal, mas então será face a face. Atualmente eu sei em parte, mas então saberei exatamente, . . ."
Criamos a visão de que temos ter aquela casa, aquele carro, grau de escolaridade, todas aquelas mulheres, todas aquelas roupas de marca...Não percebemos que ela nos torna limitados e infelizes. Uma incompletude constante. Nunca se sacia, nunca chega a felicidade. E o mais doloroso é ver as pessoas querendo impor suas preferências e usando o seu filtro para te "ajudar". Você acaba saindo pior do que nunca. As pessoas criam o seu problema ou recriam segundo o seu filtro. E a depender das pessoas, nem uma tentativa de suicídio não as fazem mudar de ideia. O que você diz é simplesmente jogado ao vento, filtrado. As pessoas ficam obcecadas, dependentes e doentes por não ver você do jeito que elas querem até você enlouquecer e matar alguém ou se suicidar. No fim, só há um hipócrita pedido de desculpas.
Não é nada fácil ouvir alguém ditando o que você tem sem te conhecer, falar com você, tirando conclusões com base em impressões e nos seus interesses ocultos pré-fixados. Imaginem você perder um filho ou um amor graças ao filtro das pessoas! Como deve ser doloroso! O turbilhão de pensamentos e emoções deve ser difícil de suportar! É como se você fosse uma propriedade e eles é quem ditam quando você está sofrendo, com o quê, quais são os seus desejos e a intensidade dele...Deve dar vontade de matar alguém.
"O filtro da sua consciência te faz ver um problema inexistente e propor uma solução, para o "problema" de alguém, que ti cura, que te faz bem, que te dar a impressão que tudo está bem."


Já que você resolveu o problema, você percebeu que a minha dica tornou o seu raciocínio tendencioso e dificultou a sua apreensão da realidade? O filtro age da mesma forma! Por vezes, é o título de especialista, a fama de inteligente que nos manipula, modificando o nosso raciocínio. Ou quem sabe uma crença pré-fixada, uma profecia, uma verdade - tudo passa a ser lido com base nisso.
É assim que construímos nossas verdades e matamos as pessoas, sempre nos sentindo justos, ético. Sempre é um mal para um bem maior. Uma manipulação que usa o seu filtro, nada mais.
"Temos que lançar a flecha que vai do animal para o divino, como Quíron na mitologia grega". 

domingo, 2 de outubro de 2011

O Mito do Desabafo

O que significa o desabafo? O que ele de fato alcança? Quando nos explicamos, contamos os nossos problemas e expomos os nossos pontos de vista nos sentimos melhor.
Se temos um problema a inclinação natural é tentar resolve-lo e, muitas vezes, acreditamos que o outro pode nos ajudar. É essa sensação, de que o problema está prestes a ser resolvido, que nos dar o alívio. Mas é uma expectativa que precisa se concretizar, para que a dor se elimine através do desabafo. E nos casos em que conversar não é solução e nem um caminho a ser traçado? (você pode até piorar a sua situação) Não existe isso de gritar, falar e pronto: Tudo se resolve! O desabafo não é milagroso e pode só satisfazer a curiosidade e curar ao outro que quer ouvir. Mas não nego que existem pessoas compreensivas e que de fato ajudam.  Se o desabafo não produz mudanças, são somente palavras ao vento.
Infelizmente, quem ver o desabafo como pão de cada dia pode sim agir como esses "ajudadores". As pessoas não sabem o que é desabafo e quais os efeitos para cada pessoa. Inclusive os psicólogos. O desabafo tem efeitos racionais ou irracionais? Ambos? É válido pisar na ferida de alguém para fazê-la gritar só por que você tem a impressão de que gritar é bom e que conhece o problema que essa pessoa está passando? Ela tinha um problema? Você conversou com ela?
Desabafem, mas escolham as pessoas certas. Entendam o que é o desabafo, pois este precisa de ações.


Criaturas insignificantes que não são capazes de morrer pela justiça.


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Sobre a origem fundamental das coisas, por Leibniz


De rerum originatione radicali 1
Gottfried Wilhelm Leibniz
( 23.nov.1697)

Além do mundo, isto é, além do agregado das coisas finitas, existe alguma Unidade dominante que o rege e que está para aquele mundo não só como a alma para mim mesmo, ou melhor, como eu para o meu corpo, mas também em um sentido mais elevado.² Pois a Unidade que domina o universo não apenas rege o mundo, mas também o constrói ou faz; ela é superior ao mundo e, por assim dizer, extramundana. Por conseguinte, ela é a razão fundamental das coisas. Com efeito, não podemos achar em qualquer das coisas singulares, ou mesmo em agregados completos e nas séries de coisas, uma razão suficiente pela qual existam. Suponhamos que um livro sobre os elementos de geometria tenha perpetuamente existido, uma cópia sendo feita de uma outra. É óbvio que, embora possamos explicar uma presente cópia como sendo uma reprodução de um livro anterior, do qual foi copiado, isso nunca nos levará a uma razão completa (para a existência de tal livro), não importando quantos livros consideremos, visto que sempre teremos curiosidade de saber o porquê da existência perpétua de tais livros, o porquê de tais livros terem sido escritos e por que o foram desta forma e não de outra. O que é verdadeiro para esses livros também o é para os diferentes estados do mundo, pois o estado que segue é, de certo modo, copiado do estado precedente, embora em conformidade com certas leis de mudança. E assim, por mais que possamos retroceder aos estados anteriores, jamais encontraremos nesses estados uma razão (ratio) completa para o porquê de existir qualquer mundo e por que ele é do modo que é. ³

Eu certamente admito que tu possas imaginar que o mundo é eterno. Todavia, desde que assumas nada além de uma sucessão de estados e desde que nenhuma razão suficiente para o mundo pode ser encontrada em qualquer um deles (de fato, assumindo tantos quantos queiras não encontrarás de modo algum a razão), é evidente que esta deve ser encontrada em outra parte. Pois nas coisas eternas, mesmo se não há causa, devemos mesmo assim conceber uma razão que nas coisas imutáveis é a própria necessidade ou essência em si, enquanto que nas coisas mutáveis (se, a priori, nós imaginássemos que são eternas), a razão seria a força superior de certas inclinações, como veremos em breve, onde as razões não se tornam necessárias (no sentido de uma necessidade absoluta ou metafísica, onde o contrário implica uma contradição), mas inclinam. Disto se conclui que mesmo se assumirmos a eternidade do mundo, nós não podemos evitar a necessidade de admitir a razão fundamental e extramundana das coisas, que é Deus.4

Portanto, as razões para o mundo encontram-se ocultas em algo extramundano, distinto da sucessão de estados ou da série de coisas cujo agregado constitui o mundo. E assim, nós devemos passar da necessidade física ou hipotética, que determina as coisas posteriores do mundo pelas anteriores, para alguma coisa que seja de necessidade absoluta ou metafísica, algo para o qual a razão não pode ser dada. Pois o mundo presente é física ou hipoteticamente necessário, mas não absoluta ou metafisicamente. Isto é, dado que ele foi uma vez tal e qual, segue-se que as coisas no futuro manifestar-se-ão do mesmo modo. Portanto, desde que a raiz fundamental deve estar em algo que é de necessidade metafísica e desde que a razão para algo existente deve vir de algo que realmente existe, segue-se que deve existir um Ser único de necessidade metafísica, isto é, deve existir um ser cuja essência é a existência, e, portanto, deve existir algo diverso da pluralidade das coisas, que difere do mundo, que admitimos e demonstramos não ser de necessidade metafísica.5

Além disso, para explicarmos um pouco mais distintamente como verdades temporais, contingentes ou físicas originam-se das verdades eternas, essenciais ou metafísicas6 devemos primeiro admitir que desde que algo existe, em vez de nada, há uma certa exigência de existência ou, por assim dizer, uma pretensão à existência nas coisas possíveis ou na possibilidade ou essência nela mesma; em uma palavra, que a essência tende por si mesma à existência. 7 Donde segue-se daí que todos os possíveis, isto é, todas as coisas que expressam essência ou realidade possível, tendem com igual direito a existência em proporção à quantidade de essência ou realidade ou grau de perfeição que elas contêm, pois a perfeição nada mais é do que a quantidade de essência.

Disto se compreende que das infinitas combinações de possibilidades e séries possíveis, aquela que existe é aquela através da qual o máximo de essência ou possibilidade é levado a existir. Sempre vigora nas coisas um princípio de orientação de acordo com que se deve buscar o máximo ou o mínimo; isto é, que se produza o máximo efeito com o mínimo de gasto, por assim dizer. E no caso atual, o tempo e o lugar ou, em uma palavra, a receptividade ou capacidade do mundo pode ser considerada como o custo ou como o terreno sobre o qual se construa o mais agradável dos edifícios e a variedade das formas do mundo correspondam à comodidade do edifício e ao número e refinamento dos quartos. E a situação é semelhante àquela de determinados jogos nos quais todas as posições sobre o tabuleiro devem ser preenchidas conforme certas regras e onde, no final, obstruídos certos espaços, tu serás forçado a deixar mais posições vazias do que poderias ou desejarias, a menos que utilizes de algum ardil. Há, contudo, um certo procedimento através do qual se pode mais facilmente preencher o tabuleiro. Assim da mesma maneira que, por exemplo, se supusermos que nos peçam para construir um triângulo, sem que nos seja dada qualquer orientação, haveremos de produzir um triângulo eqüilátero; ou se supusermos que vamos de um ponto a outro sem qualquer orientação prévia quanto à trajetória, acabaremos por escolher aquela mais fácil, isto é, a mais curta; da mesma forma, dizíamos, assumindo que em algum tempo o ser prevaleça sobre o não-ser; ou que haja uma razão pela qual alguma coisa exista em vez do nada; ou que se deva passar da possibilidade para o ato, embora sem nenhuma outra determinação, segue-se que existiria tanta possibilidade quanto poderia existir, dada a capacidade do tempo ou do espaço (isto é, da ordem possível das existências); em resumo, assemelha-se a azulejos assentados a fim de, em determinada área, conter o maior número possível deles. 8

Disto já podemos compreender maravilhosamente como uma espécie de Matemática Divina ou Mecanismo Metafísico é utilizada na criação das coisas e como a determinação de um máximo encontra lugar. O caso é semelhante àquele da geometria, onde o ângulo reto é eminentemente distinto de todos os demais ângulos; ou como o caso de um líquido colocado com outro de tipo diferente que toma, então, uma forma mais propícia a conter o máximo, ou seja, a da esfera; ou sobretudo, como o caso da mecânica comum onde da luta recíproca de muitos corpos pesados finalmente surge um movimento através do qual resulta, no total, a maior descida. Pois, exatamente como todos os possíveis tendem com igual direito para a existência em proporção às suas realidades, igualmente todos os corpos pesados tendem com igual direito a descer em proporção aos seus pesos; e tal como neste caso resulta um movimento que contém a maior descida de corpos pesados quanto possível, naquele outro dá origem a um mundo no qual o maior número de possíveis é produzido.

De fato, agora temos a necessidade física derivada da necessidade metafísica. Pois mesmo que o mundo não seja metafisicamente necessário, no sentido de que seu contrário implique contradição ou absurdidade lógica, ele é, todavia, fisicamente necessário ou determinado, no sentido de que seu contrário implica imperfeição ou absurdidade moral. E exatamente como a possibilidade é o princípio (principium) da essência, da mesma maneira a perfeição ou grau de essência (através do qual o maior número de coisas são compossíveis) é o princípio da existência. Daí está óbvio que o Autor do mundo é livre, ainda que tudo faça de modo determinado, já que Ele atua conforme um princípio de sabedoria ou perfeição. Na verdade, a indiferença provém da ignorância e o mais sábio é aquele que mais está determinado a fazer aquilo que é mais perfeito.

Mas, tu dizes, essa comparação entre um certo mecanismo de metafísica determinante e o mecanismo físico de corpos pesados, embora pareça elegante, é defeituosa na medida em que os corpos pesados, que tendem para baixo, realmente existem, enquanto as possibilidades ou essências, antes ou fora da existência são imaginárias ou ficcionais e, portanto, não se pode buscar nelas uma razão de existir. Eu respondo que nem essas essências nem as assim denominadas verdades eternas a elas pertinentes são fictícias. Pelo contrário, elas existem em um certo reino das idéias, por assim dizer, ou seja, no próprio Deus, a fonte de toda essência e da existência de todo o resto. A própria existência da atual série das coisas demonstra que, ao que parece, não falamos sem base. Desde que a razão para as coisas deve ser buscada nas necessidades metafísicas ou nas verdades eternas, já que (como mostrei acima) não pode ser encontrada na série de coisas; e já que as coisas existentes não podem derivar de nenhuma outra coisa exceto de coisas existentes, como acima observei, então, é necessário que as verdades eternas tenham suas existências em algum sujeito absoluta e metafisicamente necessário, isto é, em Deus, através de quem aquelas coisas, que de outra maneira seriam imaginárias, são realizadas (para utilizar uma expressão bárbara, porém representativa).

De fato, observamos que tudo no mundo acontece de acordo com leis das verdades eternas, leis que não são meramente geométricas, mas também metafísicas, isto é, não apenas em conformidade com necessidades materiais, mas também em conformidade com razões formais. Isto é verdade não somente em termos muito gerais, como na explicação (ratio) que acabei de dar sobre o porquê do mundo existir ao invés do nada e por que ele existe desse modo ao invés de qualquer outro (explicação que certamente deve ser deduzida da tendência dos possíveis para existir), mas também, descendo aos casos particulares, observamos o modo maravilhoso pelo qual leis metafísicas de causa, potência e ação têm seu lugar na totalidade da natureza e observamos que essas leis metafísicas prevalecem sobre as leis puramente geométricas da matéria. Como eu próprio descobri para meu assombro, na explicação das leis do movimento isto é verdade a tal ponto que fui finalmente forçado a abandonar a lei da composição geométrica das forças (conatus), que certa vez defendera na minha juventude quando era então mais materialista, como já expliquei mais longamente alhures. 9

E assim, a razão fundamental para a realidade não só das essências mas também das existências repousa em um Ser único que deve, necessariamente, ser maior, superior e anterior ao mundo, pois através d'Ele não apenas as coisas existentes que formam o mundo, como também todos os possíveis, têm suas realidades. Porém, isso só pode ser procurado em uma única fonte, em virtude da interconexão de todas essas coisas. Ademais, é evidente que dessa fonte as coisas existentes brotam e se produzem continuamente, por ela tendo sido produzidas, uma vez que não se torna claro por que um estado de mundo mais do que um outro, ontem mais do que hoje, deveria dela brotar. Também é óbvio como Deus atua não apenas fisicamente, mas também de forma livre, e como Ele é não apenas a causa eficiente das coisas, mas a causa final, e como n'Ele temos não apenas a razão para a grandeza ou poder do mecanismo do universo como já constituído, mas também a razão da bondade ou sabedoria ao constituí-lo.

E para que não pensem que estou aqui confundindo perfeição moral ou bondade com perfeição metafísica ou grandeza e que, admitindo a última, negue a primeira, deve-se compreender, do já exposto, que não somente o mundo é fisicamente (ou se preferires, metafisicamente) mais perfeito, isto é, que as séries de coisas que têm sido trazidas à existência são aquelas nas quais há, de fato, a maior quantidade de realidade, mas também que o mundo é moralmente perfeito, desde que a perfeição moral é perfeição física, para as próprias mentes. Disto resulta que o mundo não apenas é a mais admirável máquina, mas também, na medida em que é feito de mentes, a melhor república, através da qual se dá às mentes a maior possibilidade de felicidade ou alegria, em que consiste sua perfeição física.

Mas, tu perguntas, não experimentamos exatamente o oposto no mundo? Pois o pior dos males freqüentemente acontece aos muito bons e aos inocentes (tanto entre os animais, como entre os seres humanos), que são feridos e mortos, até mesmo torturados. No fim, o mundo parece mais um caos confuso do que uma coisa ordenada por alguma suprema sabedoria, especialmente se notarmos a conduta do gênero humano. Confesso que, à primeira vista, isso parece desta forma, mas uma análise mais profunda das coisas nos impõe a opinião oposta. Destas considerações que apresentei é óbvio, a priori, que tudo, mesmo as mentes, está na sua maior perfeição.

E, de fato, é injusto formar um juízo a menos que se tenha examinado inteiramente a lei, como dizem os jurisconsultos. Conhecemos apenas uma pequena parte da eternidade que se estende sem medida, pois curta é a memória de muitos milhares de anos que a história nos concede. E, todavia, de tal escassa experiência precipitadamente formamos juízos a respeito do imenso e do eterno, como pessoas nascidas e criadas na prisão ou, se preferires, nas minas subterrâneas de sal da Sarmatia, pessoas que pensam não haver outra luz no mundo senão a luz obscurecida de suas tochas, luz certamente não suficiente para guiar seus passos. Olha para um belo quadro; cobre-o exceto por uma pequena parte. Então, como parecerá ele senão como uma combinação confusa de cores sem encanto e sem arte; na verdade, por mais próximo que o examinemos terá ele essa aparência. Mas tão logo a cobertura seja retirada e possas ver toda a tela de um local adequado, compreenderás que aquilo que parecia manchas acidentais sobre a tela, fora feito com completa arte pelo autor da obra. E o que os olhos descobrem na pintura, os ouvidos descobrem na música. De fato, os mais ilustres mestres da composição muito freqüentemente mesclam dissonâncias com consonâncias a fim de excitar o ouvinte e penetrar-lhe, por assim dizer, de modo que ansioso com o que vai acontecer, o ouvinte sinta o maior prazer quando a ordem for restaurada, exatamente como nos alegramos com pequenos perigos e desventuras, graças ao sentimento ou manifestação de nossa potência ou felicidade; ou como nos deleitamos no espetáculo de trapezistas ou no salto entre espadas devido à habilidade de nos estimular o pavor; ou como, quando por brincadeira, levantamos crianças ao alto como se fôssemos arremessá-las (também por essa razão, quando Christian, rei da Dinamarca, ainda uma criança envolta em faixas, foi carregado por um macaco até a beira do telhado, todos se sentiram aflitos, mas logo em seguida riram quando o animal, como que sorrindo, o colocou seguramente no berço). Por esse princípio, é insípido sempre comer alimentos doces; para excitar o paladar deve-se misturar sabores acres, ácidos e até amargos. Quem não provou coisas amargas, não mereceu as doces nem tampouco as apreciará. O prazer não deriva da uniformidade, pois essa traz futuramente desgosto e nos torna idiotas, não alegres: esse princípio é a lei da alegria.

Mas o que dissemos acerca da parte, ou seja, que pode estar perturbada sem deixar de haver harmonia no todo, não deveria ser entendido como se não houvesse razão nas partes, ou como se fosse suficiente para o mundo inteiro ser perfeito em sua classe mesmo se a raça humana fosse miserável, não prestasse atenção à Justiça no universo, ou não nos assegurasse, como certas pessoas de juízo pobre acreditam a respeito da totalidade das coisas. Pois se deve compreender que, assim como na melhor república constituída cuida-se para que cada indivíduo obtenha, tanto quanto possível, o que lhe é ótimo, o universo seria insuficientemente perfeito a menos que levasse em conta os indivíduos tanto quanto poderia ser feito consistentemente preservando a harmonia do universo. É impossível nessa questão achar um modelo melhor que a própria lei da justiça que manda que cada um participe da perfeição do universo e de sua própria felicidade em proporção a sua própria virtude e na medida que sua vontade tem contribuído para o bem comum. Isso exclui o que denominamos a caridade e o amor de Deus no que consiste toda força e poder da religião cristã, segundo o juízo dos sábios teólogos. Nem parece admirável o fato de que tanto se atribua às mentes no universo, desde que refletem a imagem do Supremo Criador e a Ele se referem não só como máquinas em relação aos seus construtores (como fazem as outras coisas), mas também como cidadãos em relação ao príncipe. Igualmente, essas mentes são destinadas a perdurar tanto tempo quanto o próprio universo, de certa maneira, exprimindo e concentrando em si mesmas o todo de modo que se pode afirmar que são partes totais.

Também devemos sustentar que as aflições, especialmente as dos bons, guiam-nos ao bem maior. Isso é verdadeiro não apenas na Teologia, mas também fisicamente (physice), desde que um grão atirado na terra deve sofrer antes de produzir frutos. E em geral pode-se afirmar que aflições que são temporariamente más são boas quanto aos seus efeitos, uma vez que se constituem em atalhos para uma maior perfeição. 10 Assim é nas coisas físicas onde líquidos que fermentam mais lentamente também demoram a melhorar, mas aqueles em que há uma perturbação mais violenta, mais depressa são melhorados, pois eliminam (impure) partes com mais força. E isso é o que tu denominarias de recuo a fim de saltar para frente com maior força (recuar para melhor saltar). Essas considerações devem ser não somente agradáveis e consoladoras, mas também verdadeiras. E penso que no universo nada é mais verdadeiro do que a felicidade, nem mais feliz ou doce do que a verdade.

Em acréscimo às belezas e perfeições da totalidade das obras divinas, devemos também reconhecer um certo progresso constante e ilimitado em todo o universo, de modo a seguir sempre rumo a um maior desenvolvimento (cultus), exatamente como uma grande parte do nosso mundo está agora cultivado (cultura) e assim tornar-se-á mais e mais. E embora certas coisas regressem a seus estados selvagens originais e outros sejam destruídos e sepultados, devemos, todavia, entender isso do mesmo modo como interpretamos, a pouco, a aflição. De fato, essa destruição e sepultamento nos conduzirão à obtenção de algo melhor, de modo que, em certa medida, lucremos com a perda.

E quanto à objeção de que se assim fosse, então o mundo deveria, há muito tempo, ser um paraíso a resposta é: ainda que muitas substâncias já tenham alcançado uma grande perfeição, todavia, em razão da infinita divisibilidade do contínuo, há sempre partes adormecidas no abismo das coisas a serem despertadas e promovidas a maiores e melhores coisas, ou, em resumo, a um cultivo melhor. Assim, o progresso nunca chega a um fim.

Notas:
(1) A bibliografia apresenta-nos outras traduções possíveis para o título desta obra leibniziana. João Amado, em apêndice a sua tradução do Discurso de Metafísica, propõe Sobre a origem radical das coisas; Paul Schrecker, De la production originelle des choses prise a sa Racine; e tanto Woolhouse e Francks como Garber e Ariew, On the Ultimate Origination of Things. Além disso, Carlos Lopes de Mattos estabelece Da Origem Primeira das Coisas. Nossa tradução busca destacar a intenção de Leibniz no decorrer do texto: reservar ao princípio da razão suficiente o papel de fundamentar os fatos contingentes em necessidades e na razão que Deus teria tido para atualizar uma possibilidade e não outra;
(2) Em Teodicéia, Leibniz afirma que o “mundo é o conjunto total das coisas contingentes” (T. I§ 3), denominando mundo “toda a coleção de todas as coisas existentes, para que não se diga que podem existir vários mundos, em diferentes tempos e lugares. De fato, seria preciso contá-los todos juntos como um só mundo ou, se preferis, como um só universo.” (T. I§ 8 in Gerhardt)
(3) Ver PNG § 8 in Woolhouse e Francks pp.253-266: “ A razão suficiente para a existência do universo nunca pode ser encontrada na série de coisas contingentes, nos corpos e em suas representações na alma. Porque a matéria, nela própria, é indiferente ao movimento ou ao repouso, ou a este movimento ou àquele. Portanto, não podemos achar na matéria uma razão para o movimento e menos ainda para qualquer movimento em particular. E desde que qualquer movimento que se encontra na matéria no presente vem de um movimento prévio, e este também de um outro anterior, não avançaremos muito se assim procedermos interminavelmente pois a mesma questão ainda permanecerá.” Ou ainda M.§37: “E, como todo este pormenor (détail) só implica outros contingentes anteriores que podem ser mais pormenorizados, cada qual necessitando, ainda, de análise semelhante para encontrar sua razão, nada se adianta por este caminho, e é preciso que a razão suficiente ou última esteja fora da seqüência ou séries deste pormenor (détail) das contingências, mesmo que a seqüência seja infinita.” (in Chauí)
(4) Ibid. § 8 in fine: “A razão suficiente, que não necessita de qualquer razão adicional, deve situar-se fora daquela série de coisas contingentes e deve ser descoberta em uma substância que é a causa das séries: deve situar-se em um ser necessário que traz em si a razão de sua própria existência, do contrário ainda continuaríamos a não possuir uma razão suficiente na qual poderíamos parar. E aquela razão final para as coisas é o que denominamos Deus.” Além disso, em M. § 38: “Por esse motivo, a razão última das coisas deve encontrar-se numa substância necessária, na qual o pormenor das modificações só esteja eminentemente, como na origem. É o que chamamos Deus.” (in Chauí);
(5)Ver M.§39: “Ora, sendo esta substância razão suficiente de todo aquele pormenor que, por sua vez, está entrelaçando em toda parte, há um só Deus e esse Deus é suficiente.” (in Chauí);
(6) As verdades contingentes são também denominadas, por Leibniz, verdades de fato, verdades da existência; enquanto as verdades metafísicas, verdades eternas, também assumem as denominações verdades da razão, verdades lógicas. (cf. Mates, p.105)
(7) Freqüentemente a idéia leibniziana parece ser a de que Deus, ao criar o atual mundo, considerou várias possibilidades. Assim, em PNG§ 10: “Pois no entendimento de Deus todas as coisas possíveis expõem suas pretensões à existência em proporção às suas perfeições.” (in Woolhouse e Francks) Também em M.§ 54: “E esta razão só pode encontrar-se na conveniência ou nos graus de perfeição contidos nesses mundos, tendo cada possível o direito de aspirar à existência pela medida da perfeição que envolver.” (in Chauí) Então, dessas possibilidades, Deus, em sua sabedoria e bondade, escolheu a melhor, atualizando-a. Contudo, aqui, Leibniz parece admitir que as próprias possibilidades, possuindo “uma certa exigência...uma pretensão à existência”, como que trouxeram a si mesmas, e por conseqüência, o melhor dos mundos possíveis, à existência;
(8) Ver DM seção 6: “Deus escolheu [criar] porém, o mais perfeito, quer dizer, ao mesmo tempo o mais simples em hipóteses e o mais rico em fenômenos, tal como seria o caso duma linha geométrica de construção fácil e de propriedades e efeitos espantosos e de grande extensão.” (in Chauí);
(9) Ver Ensaio de Dinâmica in Woolhouse e Francks pp.153-179. Este ensaio, publicado em Acta Eruditorum em abril de 1695, é um importante relato sobre a noção leibniziana de força, noção esta que é o centro de toda sua Dinâmica. Tem como ponto de partida o entendimento de que a concepção cartesiana de uma substância corpórea como simples extensão é insatisfatória, exatamente por omitir a idéia de força. É a força que constitui a natureza mais profunda dos corpos, além de ser a realidade não evidente do movimento. Na verdade, sob o mundo extenso da matéria em movimento (o mundo tal como concebido pela nova filosofia mecanicista) encontra-se a força;
(10) Ver PNG seção 13: “Pois tudo nas coisas está ordenado de uma vez por todas com tanta regularidade e interconexão quanto possível, porque a Suprema Sabedoria e Bondade não pode funcionar exceto de maneira perfeita e harmoniosa. (...) A beleza do universo poderia ser vista em cada alma individual, se pudéssemos tão somente revelar tudo que nele está envolto e que se tornará perceptível apenas com o seu desenvolvimento no tempo. (...) Somente Deus tem um conhecimento nítido de tudo, porque Ele é sua origem.” (in Woolhouse e Francks)

Bibliografia:
LEIBNIZ, G.W. On the ultimate origination of things. In: GARBER, Daniel & ARIEW, Roger (trad.). Discourse on metaphysics and other essays. Indianápolis: Hackett Publishing. 1995.
____. De la Production originelle des choses prise a sa racine. In: SCHRECKER, Paul. Opuscules philosophiques choisis. Paris: J. Vrin.1978.
____. Da origem primeira das coisas. Trad.: Carlos Lopes de Mattos. In: Newton/Leibniz. São Paulo: Abril Cultural. 1979 (Col. Os Pensadores).
____. Discurso de Metafísica. Trad.: Marilena Chauí. In: Newton/Leibniz. São Paulo: Abril Cultural.1979 (Col. Os Pensadores).
____. Os Princípios da filosofia ditos a Monadologia. Trad.: Marilena Chauí. In: Newton/Leibniz. São Paulo: Abril Cultural.1979. (Col. Os Pensadores).
____. Essais de Theodicee. In: G. W. Leibniz. Die Philosophischen Schriften. Gerhardt, C.I.. Hildesheim: Olms. 1978.
MATES, Benson. The philosophy of Leibniz: metaphysics and language. New York: OUP.1986.
WOOLHOUSE, R.S. & FRANCKS, R. (trad.). G.W. Leibniz: philosophical texts. Oxford:OUP.1998.